
Não quero alguém como você. Não quero ninguém que seja ao menos parecido contigo. Eu só quero você. Copias ou semelhantes não me atraem. Você me atrai. Com todos esses seus defeitos irremediáveis, com toda essa sua mesquinhez, por mais que me provoque essa sanha, não consigo deixar de dar anuência a essa minha vontade. Vem matar meu desejo de ti. Quero sentir aquele arrepio ao me morder, me puxar, me apertar. Vem sem manso jogar seu corpo por sobre o meu. Vamos desarrumar os lençóis da minha cama. Vamos quebrar a louça e tirar os móveis do lugar. Faça-me transbordar nesse desejo que me toma quando me pega de jeito. Pode me amar no pior estilo gato e sapato, contanto que me ame por inteira, que me ame de verdade. Outrem, não me serve. Outrem, não faz meu corpo implorar. Outrem, simplesmente não é você. Não quero deixar meu coração vagar alheio. Quero deixá-lo aqui, parado nesse lugar não tão seguro, pois é essa insegurança que me causa a adrenalina pra permanecer. Virou meu vício. Você não é só uma pessoa, pra mim, você é o meu lugar. Onde ócio em mim não há. Onde sou feliz. Onde sou sua, tão somente, sua.

Esse teu jeito lascivo de me conduzir, com essa propensão a libidinosidade, tem tornado tudo mais caloroso, mais fervoroso. Cousas as que me fazem querer deleite. Voluptuariá tem sido a minha vontade para contigo. Com exatidão mantenho por ti esta porfia, que não há de ser interrompida por meras detrações cujas quais empunhaste contra mim. Sei que de boca para fora às pôs, mas de peito a dentro, permuta a sua vontade com a minha. Embora vieste com néscio, mantenho por ti esta cousa sem pudor. Digo-lho pois que tua hostilidade é o que compõe a minha forma cavilosa em desejar-te. Sei que é uma sofisma minha te querer por ser rude, mas de alguma forma isso me atrai em ti. De modo tal, creio que retraidamente me deseja muito além desse jeito xucro. Espero não ser apenas minha percepção instintiva a me lograr novamente. Ponho fé em meu coração, no que o fazes bater, no que me causa a sentir. Outrora sua hostilidade será passada, há de existir apenas a glória do que creio ser amor. Forma estranha de amar, todavia, não deixa de ser amor. Isto tem me mantido onde estou, aceitando apenas sua forma libidinosa e xucra, pois sei que em algum instante dar-te-ás conta que o nome disso, é ‘amor’.
(Amor libidinoso) - Pierre Ferreira

Música de Pierre Ferreira.
Voz - Pierre Ferreira.
Violão - Pierre Ferreira.
Percussão - Pierre Ferreira.
Teclados - Pierre Ferreira.