“De alguma forma, todos os dias alguém bate à nossa porta e nos convida a desistir.”
— Caio Fernando Abreu   (via pausanoamor)

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Não quero alguém como você. Não quero ninguém que seja ao menos parecido contigo. Eu só quero você. Copias ou semelhantes não me atraem. Você me atrai. Com todos esses seus defeitos irremediáveis, com toda essa sua mesquinhez, por mais que me provoque essa sanha, não consigo deixar de dar anuência a essa minha vontade. Vem matar meu desejo de ti. Quero sentir aquele arrepio ao me morder, me puxar, me apertar. Vem sem manso jogar seu corpo por sobre o meu. Vamos desarrumar os lençóis da minha cama. Vamos quebrar a louça e tirar os móveis do lugar. Faça-me transbordar nesse desejo que me toma quando me pega de jeito. Pode me amar no pior estilo gato e sapato, contanto que me ame por inteira, que me ame de verdade. Outrem, não me serve. Outrem, não faz meu corpo implorar. Outrem, simplesmente não é você. Não quero deixar meu coração vagar alheio. Quero deixá-lo aqui, parado nesse lugar não tão seguro, pois é essa insegurança que me causa a adrenalina pra permanecer. Virou meu vício. Você não é só uma pessoa, pra mim, você é o meu lugar. Onde ócio em mim não há. Onde sou feliz. Onde sou sua, tão somente, sua.

Pierre Ferreira


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Esse teu jeito lascivo de me conduzir, com essa propensão a libidinosidade, tem tornado tudo mais caloroso, mais fervoroso. Cousas as que me fazem querer deleite. Voluptuariá tem sido a minha vontade para contigo. Com exatidão mantenho por ti esta porfia, que não há de ser interrompida por meras detrações cujas quais empunhaste contra mim. Sei que de boca para fora às pôs, mas de peito a dentro, permuta a sua vontade com a minha. Embora vieste com néscio, mantenho por ti esta cousa sem pudor. Digo-lho pois que tua hostilidade é o que compõe a minha forma cavilosa em desejar-te. Sei que é uma sofisma minha te querer por ser rude, mas de alguma forma isso me atrai em ti. De modo tal, creio que retraidamente me deseja muito além desse jeito xucro. Espero não ser apenas minha percepção instintiva a me lograr novamente. Ponho fé em meu coração, no que o fazes bater, no que me causa a sentir. Outrora sua hostilidade será passada, há de existir apenas a glória do que creio ser amor. Forma estranha de amar, todavia, não deixa de ser amor. Isto tem me mantido onde estou, aceitando apenas sua forma libidinosa e xucra, pois sei que em algum instante dar-te-ás conta que o nome disso, é ‘amor’.

(Amor libidinoso) - Pierre Ferreira


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Música de Pierre Ferreira.

Voz - Pierre Ferreira.

Violão - Pierre Ferreira.

Percussão - Pierre Ferreira.

Teclados - Pierre Ferreira.


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A nossa história é uma das mais lindas entre todas as que já ouvi por aí, só perde para algumas outras pelo fato de não ter tido um final feliz. Eu não sei nem se ao menos teve um fim. Tenho duvidas se o que colocamos foi um ponto parágrafo, um ponto final ou apenas uma vírgula para poder respirar. Torço pela vírgula, porque seus beijos realmente me tiravam o fôlego. Nós começamos como um conto de fadas, por um clássico “Era uma vez…”, e talvez esse tenha sido um dos nossos maiores erros. Nunca fomos um casal clássico para poder começar assim. Estávamos mais para uma comédia romântica e acabamos num drama com terror. Não deveríamos começar com “Era uma vez…”, deveríamos ter começado com “Era, é e sempre será uma, duas ou infinitas vezes…”. Afinal de contas, a nossa história não deveria ter fim, lembra? Mas tudo bem, ainda está em tempo de continuarmos a escrevê-la. Podemos usar esse capítulo para tornar a história mais emocionante, aquele capítulo que parece que o casal vai se separar para sempre, o capítulo que faz todos os leitores, todos os espectadores e até os personagens chorarem. Agora que sou um dos personagens, descobri que mesmo sem cair uma gota dos olhos, pode estar caindo um dilúvio de lágrimas por dentro. Acho que em nossa história acabamos usando palavras complicadas demais, deveríamos ter simplificado-as. Com tantas palavras difíceis de serem escritas, acabamos tropeçando nelas. Tropeços até podem acontecer, o problema está em termos caído. Embora esse capítulo dramático seja muito importante para que o conto faça sucesso, eu acho que já deu. Acho que já foi o suficiente. E mesmo se não foi, continuo achando que já deu. Não faço questão de que o nosso conto faça sucesso, mas faço questão que o nosso sucesso não seja apenas um conto. Não quero contar um conto, ainda mais assim, cheio de pontos. Eu quero contar uma daquelas histórias que falam de fatos reais. Nem ao menos quero que seja “baseada” em fatos reais, eu quero que seja apenas real. E chega de pontos, vírgulas, aspas, parênteses ou quaisquer outros sinais que causem interrupções. Ainda estou aqui, com o papel escrito pela metade nas mãos, volte logo com um lápis para terminarmos de escrever o que começamos. E, se preciso for, podemos passar uma borracha em tudo e escrever outra história. Onde o final vai ser assim, sem ponto

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“O amor tem que ser assim - eu gostando de você e você de mim.”
Caio Augusto Leite   (via beija—flor)